só agora eu descobri que hoje é dia dos pais nos estados unidos. penúltimo domingo de junho. não consigo parar de sorrir ao pensar nisso. dia dos pais, dia do meu pai.
21.6.09
21 de junho.
quantos anos seriam? não sei, já perdi no tempo a ausência. hoje é o seu aniversário, pai. você sempre esteve comigo, e hoje não é diferente. você prometeu me amar a vida toda e mais cem anos. cem anos de eternidade pela frente, pai.
quantos anos seriam? não sei, já perdi no tempo a ausência. hoje é o seu aniversário, pai. você sempre esteve comigo, e hoje não é diferente. você prometeu me amar a vida toda e mais cem anos. cem anos de eternidade pela frente, pai.
15.4.09
descobri, através do blog hello, lola, este site. Philip Toledano - Days with My Father
é comovente, é delicado, é um exemplo. o amor faz toda, toda a diferença; o amor, o cuidado, o respeito. a decisão consciente de proteger. o olhar para os pequenos milagres, a aceitação.
a palavra é aceitação. é um abraço, eu acho. a imagem que me veio foi a de um rio abraçando quem está dentro dele, a água morna e suave, o céu, uma corredeira suave.
eu sei que é difícil e doloroso. eu sei que há a vontade da realidade ser diferente. e a raiva por não ter saída, pela realidade se impor, soberana, tirânica. e então eu me deparo com a outra escolha. a escolha da delicadeza. a aceitação da realidade e a busca pelo que existe de bom - o pouco que exista, talvez - e o investimento de seu afeto nisso. a decisão consciente de amar e ser feliz com o que há, e não de sofrer querendo o que não há.
este site, estas fotos, as palavras e as atitudes do Philip são a imagem do que é a compreensão do outro, ao contrário do murro na ponta da faca.
não sei se meu pai teve de mim todo esse amor em vida. então eu olho para o Philip Toledano e para seu pai, e, com todo o meu coração, os reverencio.
é comovente, é delicado, é um exemplo. o amor faz toda, toda a diferença; o amor, o cuidado, o respeito. a decisão consciente de proteger. o olhar para os pequenos milagres, a aceitação.
a palavra é aceitação. é um abraço, eu acho. a imagem que me veio foi a de um rio abraçando quem está dentro dele, a água morna e suave, o céu, uma corredeira suave.
eu sei que é difícil e doloroso. eu sei que há a vontade da realidade ser diferente. e a raiva por não ter saída, pela realidade se impor, soberana, tirânica. e então eu me deparo com a outra escolha. a escolha da delicadeza. a aceitação da realidade e a busca pelo que existe de bom - o pouco que exista, talvez - e o investimento de seu afeto nisso. a decisão consciente de amar e ser feliz com o que há, e não de sofrer querendo o que não há.
este site, estas fotos, as palavras e as atitudes do Philip são a imagem do que é a compreensão do outro, ao contrário do murro na ponta da faca.
não sei se meu pai teve de mim todo esse amor em vida. então eu olho para o Philip Toledano e para seu pai, e, com todo o meu coração, os reverencio.
3.4.09
fui ver como estava a situação do meu cpf na receita federal. tá tudo bem, regularizado. e não resisti, digitei o cpf do meu pai. tá lá: suspenso. e o número, decorado há tantos e tantos anos, continua correto, com seu jeito de telefone...
18.3.09
O Blog do Meu Pai está nesta resportagem da Revista ParadoXo, ao lado da doce Cris do blog Para Francisco.
26.2.09
lembrei de mais uma do meu pai.
a família da minha mãe morava em outro estado. então, umas duas, três vezes no ano, eu e ela íamos visitar minha avó. Sim, eu ia junto, para minha mãe não viajar sozinha. meu pai ficava sozinho em casa, o rei no seu castelo.
Uma vez, ao voltarmos de uma viagem - eu tinha 11, 12 anos? - encontramos toda a louça da casa suja. toda. a. louça. de. casa. suja.
inclusive a louça bonita do casamento dos meus pais, que servia 12 pessoas.
por todo canto, copos e xícaras com um dedo de café velho no fundo e umas bitucas de cigarro. e a gente tava com um cachorrinho novo em casa, então o chão da casa tava forrado de jornais com xixis.
e meu pai ainda fez a delicadeza de mandar a empregada embora.
minha mãe, santa criatura, foi lavar os pratos - pratos que eu fui a encarregada de juntar, claro. e de limpar a sujeira do cachorro.
e meu pai, o rei no seu castelo, não disse um pio e não ouviu uma reclamação. pelo menos, não na minha frente.
a família da minha mãe morava em outro estado. então, umas duas, três vezes no ano, eu e ela íamos visitar minha avó. Sim, eu ia junto, para minha mãe não viajar sozinha. meu pai ficava sozinho em casa, o rei no seu castelo.
Uma vez, ao voltarmos de uma viagem - eu tinha 11, 12 anos? - encontramos toda a louça da casa suja. toda. a. louça. de. casa. suja.
inclusive a louça bonita do casamento dos meus pais, que servia 12 pessoas.
por todo canto, copos e xícaras com um dedo de café velho no fundo e umas bitucas de cigarro. e a gente tava com um cachorrinho novo em casa, então o chão da casa tava forrado de jornais com xixis.
e meu pai ainda fez a delicadeza de mandar a empregada embora.
minha mãe, santa criatura, foi lavar os pratos - pratos que eu fui a encarregada de juntar, claro. e de limpar a sujeira do cachorro.
e meu pai, o rei no seu castelo, não disse um pio e não ouviu uma reclamação. pelo menos, não na minha frente.
19.2.09
ontem a minha irmã mais velha leu para mim a dedicatória de seu trabalho de conclusão de mestrado. ela o ofertou a nossos pais. e, enquanto ela falava de tão longe as palavras delicadas que encheriam papai de orgulho e encherão mamãe de lágrimas, eu pensei que os meus pais e os pais dela, apesar de serem rigorosamente as mesmas pessoas, são tão diferentes entre si quanto um retrato da pintura desse retrato.
o pai das minhas irmãs, o meu pai. ambos são uma única pessoa, da qual só conheço parte. e me dá uma sensação de arqueologia, de descobrir pedacinhos de uma civilização perdida. eu tenho timidez e respeito pela dor alheia, por isso ainda não liguei para minha tia e pedi para que ela contasse histórias da adolescência dos dois: ela e papai eram os filhos mais novos da minha avó. eu vi uma foto deles prontos para ir para a escola, um rapazinho, uma mocinha, muito sérios na frente de casa, no jardim, eu acho.
mas ela o amou muito, e eu tenho tanto medo que isso, ao invés de trazer a saudade boa que eu sinto, faça com que ela sofra. minha tia. eu tenho o mesmo nome dela, o mesmo nome da minha avó.
o pai das minhas irmãs, o meu pai. ambos são uma única pessoa, da qual só conheço parte. e me dá uma sensação de arqueologia, de descobrir pedacinhos de uma civilização perdida. eu tenho timidez e respeito pela dor alheia, por isso ainda não liguei para minha tia e pedi para que ela contasse histórias da adolescência dos dois: ela e papai eram os filhos mais novos da minha avó. eu vi uma foto deles prontos para ir para a escola, um rapazinho, uma mocinha, muito sérios na frente de casa, no jardim, eu acho.
mas ela o amou muito, e eu tenho tanto medo que isso, ao invés de trazer a saudade boa que eu sinto, faça com que ela sofra. minha tia. eu tenho o mesmo nome dela, o mesmo nome da minha avó.
